Mas agora não, porque o problema é que o meu mundo ruiu.
Descobri e admiti para mim própria que não consigo entregar a tese este ano, e isto foi um golpe maior do que eu sequer poderia imaginar. Tenho sido super direitinha em termos de estudos, tudo no tempo certo (chamem-me menina mimada, habituei-me mal a mim própria nisso), tinha a sorte de saber o que queria seguir e até lutei contra a família toda para entrar neste curso, mas a questão mais vincada foi sempre não desiludir a minha mãe nem arranjar problemas com ela (em termos de não deixar nenhum ano para trás), embora tenha sempre tido bons resultados. Digamos que temos uma relação complicada. E, como é óbvio, a primeira coisa que ela me diz quando eu lhe conto, em pranto, ao telemóvel, às tantas da noite, que não consigo entregar a tese, é que eu vou voltar a viver em casa dela. Acho que ela até ficou feliz/aliviada nesse aspecto por poder exigi-lo. Neste momento é o que mais me assusta, porque nós não conseguimos viver umas horas juntas sem discutir, quanto mais constantemente.
A minha ideia é entregar o meu relatório de estágio na mesma, e logo de seguida procurar emprego e fazer a tese paralelamente, cujo prazo de entrega do próximo ano é em Julho. Mas procurar e arranjar emprego (ainda por cima na minha área) não acontece de um dia para o outro... Mas espero conseguir.
O problema agora nem é esse. É o facto de neste momento eu não conseguir fazer nada. Só choro, quando choro fico apática a olhar para o vazio, não consigo fazer nada, mexer em nada, não me apetece comer, não me apetece sair à rua, só me apetece dormir e nem isso consigo porque apesar de não ter dormido quase nada, mal abri os olhos os pensamentos entraram de rajada, e se adormecer sei que vou sonhar com isto tudo. Nem sei. Só queria arranjar um bocadinho de forças. Porque ainda preciso de trabalhar no relatório.
Há-de haver um momento em que passarei da vontade de não tocar em comida para a de comer tudo e mais alguma coisa... mas não o vou fazer. Se há coisa a que me vou querer agarrar neste momento é a minha R.A. (e o desafio), porque pelo menos disso posso orgulhar-me um pouco... mesmo sentindo que tudo à volta está a cair.
Isto foi essencialmente um desabafo, desculpem-me.*









